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O diálogo autêntico contribui para a promoção de uma paz vital e se manifesta numa unidade que valor

Romi Bencke*


Em tempos de fundamentalismos e exclusivismos que estamos experimentando no nosso país, a Campanha da Fraternidade de 2021 será ecumênica e terá como tema “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor”. E como lema o trecho da carta de Paulo aos Efésios: “Cristo é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade” (Ef 2,14a).

A primeira Campanha da Fraternidade Ecumênica se deu na aurora do ano 2000 e, desde então, chegamos a esta quinta Campanha colhendo os frutos da ação diaconal ecumênica transformadora. Organizada pelas Igrejas membros do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs), terá também a participação do CESEEP (Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular) e da Igreja Betesda.

No atual contexto brasileiro é de suma importância que todo trabalho realizado nesta Campanha da Fraternidade Ecumênica vise identificar as causas geradoras das intolerâncias e promover um diálogo autêntico que contribua para a promoção de uma paz vital e que se manifesta numa unidade que valoriza e que acolhe a diversidade.

Dentre tantas, podemos identificar as seguintes causas geradoras de intolerância: a tendência de se negar a história construída, para ocultar as desigualdades e fortalecer as hierarquias sociais do Brasil; a despolitização da economia, que gera falsos conflitos, como as intolerâncias religiosas, xenofobias, entre outros que fragmentam a luta política e mantém os atores sociais ocupados com agendas muito específicas e que mudam diariamente; e também, a despolitização e a descontextualização de Jesus, que transforma Jesus em uma pessoa que não interagiu e não se manifestou nos conflitos e opressões de seu tempo. É preciso denunciar sempre que o nome de Jesus for usado indevidamente para gerar diferentes violências e usado para a discriminação, para o racismo e para legitimar a destruição da Casa Comum.

Por isso, este sonho ecumênico tem como objetivo geral “convidar as comunidades de fé e pessoas de boa vontade para pensar, avaliar e identificar caminhos para superar as polarizações e as violências através do diálogo amoroso testemunhando a unidade na diversidade”.

Esta Campanha da Fraternidade Ecumênica terá como processo metodológico uma espécie de caminhada, uma trajetória de autocrítica e de afirmação, um testemunho crítico a uma sociedade que está sendo estruturada sobre a violência. A inspiração está no texto dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35) que, ao decidirem realizar o caminho, redescobrem o Cristo da Paz e da Ressurreição.


*Romi Bencke é assessora do Curso de Verão 2021, organizado pelo Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP). Bacharel em Teologia pelas Faculdades EST. Mestre em Ciência da Religião pelo Programa de Pós-Graduação – PPCIR da Universidade Federal de Juiz de Fora. Pastora da IECLB (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil) exerce a função de secretaria geral do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil) e integra a coordenação do Fórum Ecumênico ACT-Brasil.

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