Os voluntários do CV constroem em mutirão o projeto de formação ecumênica e popular


Da esquerda para a direita: Cecilia B. Franco, Lourdes de Fátima P. Possani, Romildo R. Neves Junior e Ana Maria da Silva

Muitos intelectuais têm desenvolvido algumas explicações para a atual crise da modernidade e falam sobre as mudanças na visão do mundo e do ser humano. Entre eles, o sociólogo, já falecido, Zygmunt Bauman, afirma que as relações sociais e as instituições estão contaminadas por uma enorme “liquidez”, que estamos vivendo um mal-estar em tempos de mudança de época, e com isto, a humanidade se depara com uma visão pessimista e diminuída de si mesmo. Bauman defende que a “modernidade liquida” é caracterizada pelo enfraquecimento das utopias, levando o ser humano a uma acentuada desconfiança diante dos compromissos sociais e políticos.


Esta sociedade contemporânea, por ser incapaz de manter a mesma identidade, passa por diversas transformações estruturais profundas e por uma metamorfose sociocultural. Suas formas de vida moderna são reconfiguradas dando espaço para a transitoriedade, a individualização e, principalmente, para a fragmentação das relações sociais. Não é de estranhar que assustadoramente esteja aumentando a angústia, a solidão, a depressão, o desamparo e todo gênero de doenças psicológicas.


O Curso de Verão (CV), realizado na capital de São Paulo há 33 anos, pode ser considerado como um lugar privilegiado por conseguir enfrentar de forma aguerrida estas transformações estruturais. Há todo um esforço para manter viva a metodologia da Educação Popular e oferecer aos cursistas uma formação bíblica, teológica e pastoral que esteja inserida na realidade brasileira. O que lhe garante esta permanente sobrevivência diante desta “modernidade liquida” é o entrelaçamento de muitas pessoas que constroem em mutirão esse projeto de formação ecumênica e popular. Neste ano o Curso conta com 133 voluntários, sendo 62 pessoas que ajudam nas Equipes de Serviços e 71 pessoas como Monitores, atuando nas 16 Tendas.


No livro que é entregue aos cursistas, ao falar sobre os voluntários, Padre José Oscar Beozzo, Coordenador Geral do CESEEP (Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular), escreve: “São eles e elas os pilares desse mutirão de formação dos setores populares na sociedade, nas igrejas e num grande leque de grupos religiosos e sociais”. De fato, são pessoas de diversos lugares do país que se colocam a serviço na gratuidade. Exemplo disto é o artista Anderson Augusto de Souza Pereira, 57 anos, que mora no assentamento do MST em Juiz de Fora (MG), começou a participar do Curso de Verão no ano de 1989 e é monitor da tenda (oficina) “Arte e Espiritualidade do Cotidiano”. Para ele, estar no Curso de Verão é “um constante renovar das forças para continuar vivendo sua espiritualidade libertadora”.


Diante destas inseguranças, o grande desafio para todos aqueles que buscam viver uma espiritualidade libertadora está em testemunhar a gratuidade e a responsabilidade coletiva nascidas desta reconfiguração dos vínculos humanos fortes e que, por sua vez, produza uma integração sadia entre a sua interioridade e a militância social, política e pastoral.

Lourdes de Fátima Paschoaletto Possani é coordenadora pedagógica do CESEEP e também faz parte da equipe de coordenação do Curso de Verão. Ela disse que existem dois grandes empecilhos para que apareçam novos voluntários, primeiro, “a dificuldade de encontrar pessoas engajadas em atividades pastorais ou sociais e que queiram, além de tudo, dedicar tempo para estas atividades de formação popular”; depois os desafios metodológicos, “o Curso de Verão realiza três encontros no ano para a formação dos voluntários. Trabalhar com eles não é preparar o Curso e pedir que os voluntários façam o que a coordenação decidiu, na verdade, tudo é criado de forma comunitária, construímos juntos. Daí, é preciso ter a paciência história e muita mediação para lidar com os conflitos”.


Apesar destes obstáculos, Cecilia Bernadete Franco, coordenadora de curso do CESEEP, se sente animada com o crescimento de voluntários jovens. Para ela “os novos monitores trazem indagações e provocam mudanças. Esse confronto é desafiante”. Na tenda “Espiritualidade Feminista”, o jovem Romildo Rodrigues Neves Junior, 25 anos, natural de Cumari (GO), faz a sua experiência como monitor pela primeira vez. “Está sendo um desafio muito grande devido as responsabilidades com a articulação e organização das atividades na tenda, mas, o maior aprendizado está em conhecer as experiências e as lutas de todas estas mulheres e assumi-las também como sendo minhas”.


Ana Maria da Silva mora no Jardim Ângela, São Paulo, 69 anos. Faz parte da equipe de serviços Sala de Cuidados há quatro anos e expressou sua alegria por atender tantos monitores e cursistas com suas massagens Reiki. “É muito gratificante poder colocar nossos dons a serviço das pessoas do Curso de Verão. Neste ano atendemos muito mais pessoas com diversos sintomas, principalmente, dores lombares, coluna e cabeça. Fiquei assustada com o número de jovens com autoestima baixa e depressão”, comentou Ana.


Por fim, numa sociedade em que o valor do ser humano é medido quase exclusivamente pela eficácia e pela produtividade, o Curso de Verão, nadando na contracorrente, busca identificar na participação efetiva dos cursistas e no compromisso dos voluntários a garantia de fidelidade à metodologia da Educação Popular de forma ecumênica e a serviço da vida.


Equipe de Comunicação

José Carlos Correia Paz




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