• Arthur Gandini

“Sínodo Amazônico” é tema presente no CV 2020

Atualizado: Jan 16

Assessores, monitores e cursistas refletiram sobre o impacto em toda a população e nas terras amazônicas

Para a cursista Mary Nelys, as mulheres querem um espaço para dialogar, ter fala e voz. Foto: Ana Paula

O Sínodo dos Bispos para a região Pan-Amazônica, também conhecido como “Sínodo Amazônico”, foi um dos temas debatidos nas assessorias, nas tendas e ao longo de toda a edição do 33º Curso de Verão. O encontro global de bispos da Igreja Católica Apostólica Romana, realizado no Vaticano em outubro do ano passado, discutiu a atuação da Igreja na Amazônia e deve impactar toda a população e as terras amazônicas.


Em meio à dificuldade de o clero atender a toda a região e à escassez de padres nas comunidades, foram debatidos no sínodo encaminhamentos como a ordenação de diáconos que sejam casados como sacerdotes, a possibilidade de diaconato das mulheres, o estímulo ao diaconato e ao sacerdócio, a prática do diálogo interreligioso e o respeito ao rito amazônico na celebração de missas.


A educadora e biblista popular Maria Soave esteve entre os leigos que atuaram na assessoria dos bispos durante o sínodo e que participaram das discussões e auxiliaram na redação do documento final. Ela abordou o tema em suas assessorias no curso e, conforme a educadora, o sínodo foi marcado pela preocupação com o meio ambiente e pela participação das mulheres. “A ecologia integral significa olhar outros caminhos para a Igreja, olhar as mulheres. Muitas mulheres se inscreveram para falar nos grupos de discussão”, relatou.


Outro participante da assessoria dos padres sinodais foi o coordenador-geral do CESEEP (Cento Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular), padre José Oscar Beozzo, que contou que a reunião de bispos chamou a atenção pela abertura que o papa Francisco mostrou ao escutar os povos da região, assim como o fato de terem sido convocados todos os bispos da Amazônia, ao invés de apenas representantes, o que não é comum. “Para dar um exemplo, o Brasil que possui mais de 300 bispos, elegia (geralmente) quatro bispos para participar. Além do nosso país, foram convocados bispos da região amazônica da Colômbia, da Venezuela, do Peru, do Equador, da Bolívia e das três guianas. E não só eles, como um grande grupo de indígenas e de mulheres e que não ficaram apenas ouvindo”, afirmou Beozzo.


A representatividade também foi acompanhada de longe por cursistas oriundos da região amazônica, com Mary Nelys, de Manaus (AM), que está na tenda “Dança: o corpo como construtor da identidade”. “É um processo que pode chegar principalmente à mulher, que está sempre à frente, é maioria nas comunidades, organiza e articula”, prevê.


Em relação à possibilidade de mulheres exercerem o diaconato, Mary refletiu que as mulheres não querem necessariamente ocupar espaços masculinos, mas ter o seu próprio papel e espaço. “Não queremos ocupar o papel do padre e, sim, sermos reconhecidas, abrir um espaço para dialogar, ter a fala e a voz”, defende.


O padre Paulo Barausse, cursista da tenda “Arte e Educação Popular” e que trabalha junto à Mary no SARES (Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental), lembra ainda a importância de seguir alertando sobre o sofrimento do povo e das terras amazônicas. “Há tantas pessoas que vivem ali que estão ameaçadas, os territórios cada vez mais invadidos, temos as imensas periferias e todos esses dramas, o narcotráfico, a exclusão social e o desemprego”, afirmou.


O religioso alerta para o cenário de desarticulação da Fundação Nacional do Índio (Funai) e de outros órgãos pelo atual governo, assim como presidente da República, Jair Bolsonaro, ter declarado que não seria concedido “nenhum centímetro a mais para terras indígenas”. Recentemente, também faleceram seis crianças indígenas na cidade de Atalaia do Norte, a cerca de 1.100 quilômetros de Manaus, por conta do consumo de água contaminada por despejos nos rios por barcos. “Se em Manaus já existe tanta violência de direitos humanos, imagine em locais tão distantes. Certamente, irá morrer mais gente”, denunciou.


Equipe de comunicação

Arthur Gandini




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