Curso de Verão celebra a renovação do “Pacto das Catacumbas”

Atualizado: Jan 14

Cursistas ouviram a história sobre o primeiro compromisso firmado em 1965 e sobre como agora a opção pelos pobres foi renovada


Cursistas celebram renovação do compromisso do "Pacto das Catacumbas". Foto: Ana Paula

Em 16 de novembro de 1965, nas catacumbas de Domitilla, em Roma, 42 padres conciliares da Igreja Católica Apostólica Romana faziam história ao celebrar a Eucaristia e assinar o documento “Pacto por uma Igreja serva e pobre”, ou também como ficou conhecido, o “Pacto das Catacumbas”. O documento registrou o compromisso de vida de colocar os pobres no centro de sua atenção pastoral. Tanto o pacto, quanto a reunião eclesiástica dos bispos, indicou uma abertura maior da Igreja Católica para o martírio sofrido pelo Povo de Deus espalhado pelo mundo por conta das desigualdades sociais.


Em meio à realização do “Sínodo para a Amazônia” no ano passado, convocado pelo papa Francisco para discutir a atuação da Igreja Católica na região amazônica, um grupo de padres sinodais renovou, por meio de uma nova celebração nas Catacumbas, o compromisso que foi firmado há mais de cinco décadas. A importância dessa renovação foi partilhada neste domingo (12) com todos os participantes do Curso de Verão na assessoria que ocorreu pela parte da manhã.


“É um pacto pela Casa Comum, a gente fez um pacto pelos pobres e a mais pobre agora é a Terra que está sendo violentada. Quem mais sofre com essa violência é o pobre”, afirmou José Oscar Beozzo, coordenador geral do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP) e um dos responsáveis pela renovação do pacto de opção preferencial pelos pobres.


Para Beozzo, que contextualizou o pacto aos dias atuais, vive-se hoje um cenário de destruição do meio ambiente e de ampliação das desigualdades sociais onde é necessário dizer o que é preciso ser dito. “A nossa Amazônia é um sinal de violência que está em todo lugar”, denunciou.


Os cursistas, no teatro Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (TUCA), passaram por um momento de celebração e foram convidados a também assinarem o pacto, assim como a deixarem sua marca digital, por meio de tinta natural feita a partir de fruto de urucum, em um tecido que deve formar um grande painel.

Maria Soave questiona: "De quem é o pão nosso de cada dia? Hoje, não é de todo mundo. A grande maioria dos homens e mulheres não tem acesso. Foto: Ana Paula

O pão nosso é de todos?

A partilha relacionada ao “Pacto das Catacumbas”, neste quinto dia do Curso de Verão, ocorreu logo após a assessoria da educadora e biblista popular, Maria Soave Buscemi, sobre a “Espiritualidade libertadora de Jesus, o Cristo”.


Após um momento de celebração ao som da música “Se Calarem a Voz dos Profetas”, com o refrão “É Jesus este pão de igualdade/Viemos pra comungar”, a assessora questionou a desigualdade social por meio da metáfora do pão. “De quem é o pão nosso de cada dia? Hoje, não é de todo mundo. A grande maioria dos homens e mulheres não tem acesso. O pão é simbólico, o mundo do Mediterrâneo tem o seu pão, cada um tem o seu pão. Temos uma enorme produção de grãos, mas o pão não é para todo mundo”, criticou.


Maria Soave também aprofundou a reflexão bíblica realizada a partir dos números e iniciada em sua primeira assessoria no sábado (11). Na última conversa com os cursistas, ela havia relembrado que, ao contrário do que costuma ser falado, O Reino de Israel do Antigo Testamento era composto por treze tribos, e não, por doze. Por isso, “13 é mais que 12”, por conta da 13ª tribo, formada pela filha de Jacó, Diná, que é omitida na tradição. “Precisamos passar do 12, entendido como o jeito de estar no mundo de religião machista, elitista, branca e militar, para o 13, como um espaço que possa acolher todas, todos e tudo no respiro da vida”, disse.


Já no segundo dia de assessoria, a biblista incentivou os cursistas a trabalharem a ideia de divisão e de partilha. “Na escola, ensinam que é preciso aprender a multiplicar antes de dividir. Deus é misericórdia, o contrário da lógica capitalista e extrativista”, critica.


Assista à integra da assessoria deste domingo (12):

Arthur Gandini


Equipe de comunicação

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